Se, por acaso, um extraterrestre desembarcasse na Terra em algum dos dias que antecedem a noite de natal, seguramente o que lhe chamaria a atenção, pela intensidade, não seriam o amor, a paz, a solidariedade, mas sim a euforia desesperada com a qual compramos coisas nessa época, e como submetemos cinicamente todos aqueles sentimentos positivos ao ato de consumir. E o espantoso não é que falemos de amor quando na verdade queremos trocar mercadorias, mas que nós submetemos tudo, passamos por todas as dificuldades, proporcionamos os maiores sofrimentos, com o objetivo de preservar o consumo de coisas. Os aspectos que constituem a sociedade capitalista e a forma de vida que ela nos impõe, que inevitavelmente somos impelidos a construir, parecem irremediáveis: a desigualdade social que deve ser necessariamente preservada para o pleno funcionamento do sistema; o modo como as empresas (sobretudo as multinacionais) passam por cima de qualquer limite ético para alcançar maiores lucros (trabalho semi-escravo e infantil, venda de alimentos cancerígenos, degradação do meio ambiente, ...) e o modo como até os nossos sonhos são moldados. É especialmente no natal que as pessoas acreditam que, ao comprarem objetos caros, são beneficiadas na medida em que se alcança um certo sentimento de superioridade frente aos seus próximos. Somos colocados – por nós mesmos – nas piores situações para consumir: fazemos dívidas absurdas que nos deixam estressados e nos obrigam a trabalhar mais; compramos toda espécie de "bugigangas" que nos oferecem – cujo tempo de uso é limitado pela próxima oferta; passamos o dia com pessoas que eventualmente não são aquelas que gostaríamos que estivessem nos acompanhando, ao menos naquele momento ou daquela forma mediada por objetos.
É porque acreditam que existem infinitas formas possíveis de se relacionar com o mundo e com as pessoas que o habitam, por meio de uma lógica externa à capitalista e consumista, que pessoas de vários países organizam o DIA SEM COMPRAS. Abandonar completamente o modo de vida capitalista pode parecer inicialmente impossível, porém, existem formas de construir experiências alternativas ao modo dominante no dia-a-dia. Por exemplo, no lugar dos rituais criados apenas para aumentar o consumo, pode-se partir para a invenção de rituais próprios junto à família, amigos ou vizinhos, reuniões que de fato propiciem a relação com o próximo. Sabemos perfeitamente da impotência política que recai sobre nós. Mas, no lugar de simplesmente reconhecê-la e aceitá-la passivamente, defendemos como ponto de partida uma reflexão crítica em relação à realidade – que, em meio à alienação generalizada, pode ser considerada poderosa.
sábado, 19 de janeiro de 2008
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5 comentários:
e nem é o pior. . .
E vc passar na feente de um posto de gasolina na noite de natal e ver aquela porra lotada de gente enchendo a cara mostrando o carro dos seus pais , com um monte de mulher que não se da valor algum. . .
mas se bem que ...
Que realmente essas pessoas estão certas, afinal , elas não somam as pessoas que veem o natal como um data pra comemorar o amor e sim para comemorar o consumismo, nada mais natural que ela tenham essas atitudes
algumas delas podem ter jeito ainda
vou trazer os ursinhos carinhos pro teu blog! encher isso aki de alegria, cor e amor!
hAIuiahuihuuAAuiAHIAH..
eii.. eu nao ganhei presente de natal material! isso ker dizer q eu passei o natal nutrido apenas pelo amor e confraternizacao??
\o/
como tu consegue ser o superangelo e oantiherói ao mesmo tempo ??
Ao invés de propor uma revolução bolchevique, eu proponho que se aumente o consumismo e que se troquem presentes todos os meses.
Assim podemos dar um fim na falsidade e na hipocrisia natalina.
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